As dimensões de uma Smart City
Published on: Feb 05, 2017

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Este texto é parte do meu artigo inédito Smart "Brazil" - Tropicalizando o conceito de Cidades Inteligentes, que será publicado na próxima edição da revista Fonte da Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais – PRODEMGE. Aguardem a revista para ler o artigo na integra.

 

A tipologia das cidades inteligentes também pode ser analisada e definida pela forma como os vários setores podem conectar-se e como eles fazem uso das TICs para alavancar serviços (Batty et al., 2012). É possível individualizar cada uma das dimensões de uma cidade e analisá-las sob a perspectiva do termo “inteligente”.

 

Economia Inteligente - Smart Economy 

O ponto focal aqui é a competitividade. Esta dimensão está diretamente relacionada com os novos conceitos de economia criativa e economia colaborativa, como explicado anteriormente. As cidades inteligentes estão repensando as formas de promoção do empreendedorismo e investindo nos modelos de incubadoras de empresas e modelos de negócios startups. Um excelente exemplo de investimentos nesta dimensão vem da cidade-Estado de Hong Kong. A região está vivendo agora sua terceira onda econômica. A primeira foi representada pela industrialização, logo após o Reino Unido receber a concessão de 100 anos de gestão. Com a evolução do processo de industrialização chinês a partir dos anos de 1980, a região focou seus esforços no desenvolvimento de um polo financeiro e de serviços, tornando-se um grande hub mundial bancário e logístico, operando ainda hoje o segundo porto mais movimentado do mundo. Esta terceira onda vem com a orientação do governo local de investimentos maciços em pesquisa, tecnologia e inovação, traços marcantes da chamada Smart Economy.

 

Sociedade Inteligente - Smart People

O capital humano e social são as diretrizes desta dimensão. O nível de qualificação das pessoas e pluralidade étnica e racial são elementos chaves no processo. O desempenho das pessoas, enquanto cidadãos participativos, também é uma unidade para medir o grau de desenvolvimento de uma cidade inteligente. Richard Florida foi um dos pioneiros no tema sobre a chamada classe criativa, defendendo que a atração e promoção de grupos sociais como artistas, GLBTs e músicos, entre outros, poderia acelerar o desenvolvimento econômico e social das cidades (Florida, 2014). Ao longo dos anos, sua teoria, embora bastante questionada, se mostrou válida. Muito do sucesso do Vale do Silício pode ser associado à sociedade diversificada da região da Califórnia. A combinação entre promoção pública da criatividade e criação de clusters tecnológicos pode constituir peças fundamentais para o aumento da competitividade das cidades e seu consequente crescimento e desenvolvimento econômico (Florida et al., 2015).

 

Governança Inteligente - Smart Governance 

A participação dos cidadãos no processo de tomada de decisão na administração pública tem se tornado um objetivo para vários governos em nível mundial. Transparência na gestão e definição de políticas e orçamentos participativos estão na pauta de governos de países em desenvolvimento às economias mais desenvolvidas. O tema é tão relevante que em 2008 foi criada a Organização Mundial de Governança Eletrônica para Cidades e Governos Locais, com sede em Seul, na Coreia do Sul. A instituição já conta com mais de 80 cidades cadastradas e desenvolve projetos globais de capacitação, consultoria e apoio a práticas de governança eletrônica.

 

Mobilidade Inteligente - Smart Mobility

Provavelmente uma das dimensões mais exploradas na atualidade, no tocante a projetos de cidades inteligentes, uma vez que a mobilidade e o trânsito nas grandes cidades representam grandes desafios. Muitos projetos de Smart City iniciam justamente na busca de soluções para este problema e acabam concentrando todos os primeiros esforços e recursos aplicados ao projeto. Mas aqui vamos além da questão do transporte urbano. O nível de acessibilidade local, nacional e internacional das cidades e toda a infraestrutura das TICs estão nesta dimensão. Seguramente grande parte dos investimentos atuais em projetos de cidades inteligentes está relacionada a esta dimensão, porém, em ambientes de restrições orçamentárias, esta associação direta de cidade inteligente com projetos no setor de transportes e principalmente projetos de reestruturação de sistemas existentes pode limitar uma visão mais aprofundada do conceito. 

 

Meio Ambiente Inteligente - Smart Environment

Outra dimensão que é comumente usada como base para projetos de cidades inteligentes é a gestão ambiental. Esta dimensão tem um forte apelo político e social e exerce um grande impacto na qualidade devida das pessoas. A valorização e o investimento nas áreas verdes das cidades têm sido a bandeira de muitas metrópoles como Nova York e Hong Kong; esta última tem regras claras quanto à conservação dos espaços verdes. A meta da cidade é manter os números atuais e não construir mais nas áreas conservadas. Outro ponto importante nesta dimensão diz respeito à gestão e controle dos índices de poluição, outro ponto de alto impacto na melhoria da qualidade urbana. 

 

Qualidade de vida inteligente - Smart Living

A última dimensão diz respeito ao estilo de vida associado ao conceito de cidade inteligente. Das questões culturais à gestão de serviços como saúde, educação e segurança, tudo que envolve o cotidiano das pessoas pode ser englobado nesta dimensão. Esta área tem uma grande extensão e por consequência acaba por ser uma das mais relevantes em número de projetos. Sem dúvida um dos principais problemas urbanos é o rápido envelhecimento da população, amplificado pelos avanços da medicina, que tem ampliado significativamente a expectativa de vida. Como solução para este problema, sensores inteligentes instalados nas residências de cidades inteligentes têm auxiliado a melhorar a qualidade de vida de pessoas idosas e aumentar seu grau de independência. 



About the author

Renato de Castro

Smart City Expert

Italy,

He has 20+ years of professional experience in developing market entry strategies and managing investments attraction to smart cities development worldwide and he is mentoring and advising startups for "going-global" strategies.

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